A resposta curta: quando grava um registo DNS, a mudança fica feita nesse instante nos servidores que guardam a zona (os autoritativos). Nada «viaja» pela internet a partir daí. O que se chama propagação é outra coisa: muitos servidores pelo mundo guardaram a resposta antiga em cache, cada um a partir do momento em que perguntou, e só voltam a perguntar quando acaba o TTL que vinha nessa resposta. Ninguém empurra a mudança; cada cache esquece a antiga quando o seu prazo termina.
As peças da cadeia, e quem manda no tempo de cada uma
| Peça |
O que guarda |
Quanto tempo, e quem decide |
| O registo da extensão (a delegação) |
A lista de nameservers do domínio. |
Um TTL próprio, definido pelo registo da extensão e não por si. Só entra na conta quando muda de nameservers. |
| Os nameservers autoritativos |
A zona: é a fonte, e não guarda cópias de ninguém. |
Mudam quando grava. Se a zona tem servidores secundários, estes copiam-na quando o número de série do SOA sobe. |
| O resolver recursivo (do fornecedor de internet, da empresa, ou um público) |
As respostas que já deu a alguém. |
O TTL do registo, contado a partir do momento em que perguntou. Alguns resolvers aplicam limites próprios, para cima ou para baixo. |
| O sistema operativo e o router |
Uma cópia própria dos nomes já consultados. |
Em regra o TTL, mas nem sempre à letra. |
| O navegador e as aplicações |
Uma cache de nomes própria, e ligações já abertas ao endereço antigo. |
Até o programa fechar ou a ligação cair. É a camada que o ipconfig não alcança. |
Porque é que uma pessoa vê o site novo e outra o antigo: cada resolver guardou a resposta num momento diferente, por isso cada um a esquece num momento diferente. O telemóvel em dados móveis usa o resolver do operador; o computador do escritório usa o da empresa ou do fornecedor de internet. São caches separadas, com relógios separados, e nenhuma está «avariada».
Como pensar depois de uma mudança
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Separe os dois casos. Mudou um registo dentro da zona (A, MX, TXT)? Conta o TTL desse registo. Mudou os nameservers? Conta também o TTL da delegação, que não controla e que costuma ser mais longo.
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Confirme a fonte primeiro. Descubra os nameservers com dig NS asuaempresa.ao +short e pergunte a um deles, por exemplo dig @dns1.interweb.ao A asuaempresa.ao se a zona está connosco. Se a fonte está errada, esperar não resolve nada.
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Lembre-se do TTL que estava antes da mudança. É o tempo máximo que uma cache que perguntou mesmo antes da mudança pode continuar a dar a resposta antiga. É esse número, em segundos, que manda, e não o que pôs depois.
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Quem nunca perguntou vê logo a nova. Um resolver sem nada guardado vai à fonte e recebe o valor novo. Por isso um colega pode ver o site novo e outro o antigo, à mesma hora.
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Não existe botão que acelere a propagação no mundo. Um serviço que promete «forçar a propagação» só consegue limpar as caches que controla. E baixar o TTL depois de mudar não encurta nada: quem guardou a resposta antiga guardou-a com o TTL antigo.
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A única forma de encurtar a espera é preparar antes: baixar o TTL dos registos que vão mudar, esperar que o TTL antigo passe, e só então mudar. O passo a passo está em baixar o TTL antes de uma migração.
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Não sabe se o que está a ver ainda é cache ou já é um erro? Diga-nos o domínio, o que mudou e quando.
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