Num plano de alojamento partilhado, a máquina é nossa e somos nós que a mantemos fechada. Num VPS ou servidor dedicado, a máquina é sua — e com ela vem a parte que ninguém menciona no dia da compra: manter a porta trancada é trabalho seu. Onde passa exactamente a linha está em VPS gerido ou não gerido: quem faz o quê.
Este artigo é a lista curta. Não é um curso de administração de sistemas — são as seis coisas que, feitas, evitam praticamente tudo o que vemos acontecer.
1. O sistema operativo é a decisão que mais pesa
Um sistema que já não recebe actualizações de segurança não se protege com mais nada: as falhas descobertas depois do fim de vida nunca serão corrigidas. Nenhuma firewall tapa isso.
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Atenção ao escolher na encomenda. A lista de sistemas disponíveis ainda inclui versões que chegaram ao fim de vida — CentOS 7, Fedora 37 e 38, Ubuntu 21.04 e 23.04, Windows Server 2008 R2 e 2012 R2. Estão lá por razões históricas e continuam a poder ser instaladas; não as escolha para um servidor novo. Se já tem uma delas, fale connosco antes de reinstalar — ver reinstalar ou mudar o sistema operativo do VPS.
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| Para um servidor novo |
Escolha |
| Linux, com painel cPanel/WHM |
AlmaLinux 9 ou Rocky Linux 9. São as duas que o cPanel suporta melhor hoje. |
| Linux, sem painel |
Debian 12 ou Ubuntu 22.04 LTS. As versões LTS são as que têm anos de actualizações pela frente. |
| Windows |
Windows Server 2022. As anteriores já não recebem correcções. |
A escolha completa, com o que cada um serve, está em que sistema operativo escolher para o seu VPS ou servidor.
2. As primeiras duas horas do servidor
Um servidor novo começa a ser procurado por varredores automáticos minutos depois de ficar no ar. Não é exagero: é o que se vê nos registos. Faça isto antes de instalar o que quer que seja.
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Actualize tudo. Em AlmaLinux ou Rocky: dnf update -y. Em Debian ou Ubuntu: apt update && apt upgrade -y. A imagem com que o servidor nasce tem sempre semanas ou meses de atraso.
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Mude a senha inicial que lhe foi entregue, e escolha uma longa. Uma frase de cinco palavras vale mais do que oito caracteres com símbolos.
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Crie um utilizador normal para si e use-o no dia a dia, subindo a administrador só quando precisa. Entrar sempre como root significa que qualquer erro seu — ou de um programa — tem poderes totais.
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Ligue a firewall e feche tudo o que não usa. É o passo 4 e não o 1 porque de nada serve fechar portas num sistema por actualizar.
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3. O SSH é a porta mais atacada. Trate-a assim
A esmagadora maioria das tentativas que um servidor recebe são de adivinhação de senha no SSH, dia e noite, vindas do mundo inteiro. Três mudanças no ficheiro /etc/ssh/sshd_config acabam com o problema:
PermitRootLogin no
PasswordAuthentication no
Port 2222
| A linha |
O que faz |
| PermitRootLogin no |
Ninguém entra directamente como root. Entra-se com o seu utilizador e sobe-se depois. Corta metade dos ataques automáticos de uma vez. |
| PasswordAuthentication no |
Só se entra com chave. Uma chave não se adivinha — e uma senha, com tempo suficiente, adivinha-se sempre. |
| Port 2222 |
Muda a porta. Não é segurança a sério, mas tira do caminho o ruído dos varredores que só procuram a 22 — e deixa os registos legíveis. |
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Não feche a sessão antes de testar. É o erro clássico. Depois de systemctl restart sshd, deixe a sessão actual aberta e abra uma segunda para testar a entrada. Se a nova falhar, ainda tem a primeira para desfazer. Fechar a única sessão que tinha e só depois descobrir que a chave estava mal é como se perde o acesso a um servidor — ver perdi o acesso SSH ao meu servidor.
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Antes de desligar a senha, ponha a chave a funcionar. Gere a chave no seu computador com ssh-keygen -t ed25519, copie-a com ssh-copy-id utilizador@o-seu-ip, e só quando entrar sem senha é que mete o PasswordAuthentication no. Por esta ordem, nunca fica fechado de fora.
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4. Firewall: feche tudo e abra o que usa
A regra é a mesma em qualquer sistema: negar por omissão e abrir caso a caso. Estas são as portas que um servidor de sites costuma precisar — e mais nenhuma:
| Porta |
Para quê |
| 80 e 443 |
O site. A 443 é a cifrada e é a que interessa; a 80 fica aberta só para redireccionar para ela. |
| 22 (ou a que escolheu) |
O SSH. Se conseguir, limite-a ao endereço de onde trabalha. |
| 25, 465, 587, 993 |
Correio. Só se o servidor tratar mesmo de e-mail. Se não trata, deixe fechadas. |
| 2087 e 2083 |
WHM e cPanel, se tiver painel. São portas de administração — merecem o mesmo cuidado que o SSH. |
Junte-lhe um bloqueador de tentativas repetidas — o CSF nos servidores com cPanel, ou o fail2ban nos outros. É o que trava quem está a adivinhar senhas antes de ele acertar. Sobre o outro lado da mesma moeda, quando é você que fica bloqueado, ver porque é que o seu IP é bloqueado pela firewall.
5. Cópias de segurança: num VPS, não são automáticas
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Isto é o que mais surpreende. Os planos de VPS vendem a máquina — processador, memória, disco e ligação. Não incluem cópias de segurança como o alojamento partilhado inclui. Se não contratou um plano gerido nem configurou cópias, não há nenhuma. Confirme hoje, e não no dia em que precisar — ver VPS gerido ou não gerido.
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Uma cópia só conta se estiver fora da máquina. Uma cópia guardada no próprio servidor desaparece com ele — e desaparece exactamente nos dois casos em que faz falta: o disco falhar, ou alguém entrar e cifrar tudo. Se o seu plano tem JetBackup disponível, confirme que está ligado e que sabe repor.
6. Saber ver que já entraram
Um servidor comprometido raramente dá erro. Ele continua a servir o site — enquanto faz outra coisa por baixo. Estes são os sinais, por ordem de frequência:
| Sinal |
O que costuma ser |
| Processador a 100% sem motivo |
Mineração de criptomoeda. É hoje o uso mais comum de um servidor invadido. |
| O IP entrou numa lista de bloqueio |
O servidor está a disparar spam. Ver IP do servidor em lista de bloqueio |
| Ficheiros novos com datas de madrugada |
Alguém deixou lá qualquer coisa. Compare com uma cópia anterior. |
| Contas ou chaves SSH que não criou |
A porta ficou aberta para voltarem. Verifique /etc/passwd e os ficheiros authorized_keys. |
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Se desconfia, não limpe primeiro. Apagar o ficheiro que encontrou não resolve nada se a porta de entrada continua aberta — e destrói a prova de como entraram. Avise-nos, mantenha o servidor como está, e trate a reposição a partir de uma cópia anterior à data suspeita.
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O que fica connosco
A rede, o equipamento físico e a disponibilidade da máquina são nossos. O sistema dentro dela é seu — a menos que tenha um plano gerido. Isso não quer dizer que fique sozinho: se tiver dúvidas numa destas mudanças, pergunte antes de mexer. É muito mais barato do que reparar depois. Se o servidor é novo, comece por primeiros passos com o seu VPS; se alguma coisa já está a correr mal, erros comuns de VPS e Cloud.
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